Primeiro Capítulo.

Leia abaixo, com exclusividade, o primeiro capítulo de Graça In Minas: No Casamento da Loubaquinha. Narrado por Patrícia e Matheus.


CAPÍTULO UM
O combinado

Patrícia.

Não acredito que terei que ir à Minas Gerais para o casamento de Loubaquinha. Ela fez vinte anos semana passada. Que ideia maluca de casar agora. Sou a madrinha da noiva. Aliás, ela me convidou para esse casamento um mês atrás, e tipo, não me falou quem era o noivo. Ela passa dos limites todos os dias. Mas olha só que coisa maravilhosa: ela pagou tudo; passagem, hospedagem, salão de beleza e vestido. Então, tudo bem.
Inclino meu corpo para fechar a mala. Quando levanto, encaro meu pai parado à porta.
— Pronta? – E então ele sorri. Sou tão parecida com ele.
Balanço a cabeça num sim.
Sete horas depois estou na casa da Loubaquinha, sentada em sua cama, encarando-a provando um vestido branco que desce até seus pés, sem véu, mostrando sua clavícula. A maior parte do tempo eu não presto atenção no que ela está falando. A viagem me deixou cansada.
Eu e Loubaquinha moramos no interior e temos que ir para a Capital pegar o avião. Pelo menos eu acho que o Governador Valadares não tem aeroporto, pois eu pousei em Belo Horizonte.
O casamento é só daqui a uma semana, mas já estou aqui.
— Tá linda, amiga. – minto, quando Loubaquinha pergunta pela milésima vez se o vestido que ela está usando está bonito nela.

·

Matheus

Odeio morar em segundo andar. Isso me impede de fazer performances da Aline Barros. Os vizinhos de baixo me odeiam, acham que está acontecendo um terremoto.
— Pare de fazer barulho! Os vizinhos já reclamaram de você duas vezes! Estou te advertindo pela segunda vez, na próxima terei que tomar as providências cabíveis! – O síndico, que por mais que eu me esforce não consigo decorar seu nome, diz depois de três batidas fortes na porta.
— Se fosse só eu que fizesse barulho nesse prédio, tudo bem. Mas não sou só eu. Ouço coisas piores. BEM PI-O-RES! E isso me incomoda mais do que você batendo na minha porta sábado pela manhã.
Então, fecho a porta em sua cara.
– Canalha!
Volto a dançar. Ninguém vai me segurar. O inimigo não vai me caluniar!
Mas aí eu coloco Bang, da Anitta para tocar. Eu danço como se não houvesse amanhã. E toda a unção do louvor da Aline Barros se vai, assim como acaba a calmaria de um bebê quando começa a sentir fome.
Lembro que tenho que ir para o casamento da Loubaquinha. Então, corro para buscar meu celular que deixei no banheiro. Desbloqueio a tela e mando uma mensagem para o grupo.

Matheus: Canalhas.
Matheus: Como vocês vão para o casamento?
Thalita: Irei direto com o Micro PAB.
Matheus: O Micro PAB está aqui no Rio, Thalita.
Thalita: Ai, merda. Esqueci-me disso. Vou de avião.
Kerol: Não sei ainda.
Wendel: Meu pai vai me deixar de carro.
Matheus: O casamento é em uma semana!
Eliza: Nem sei se vou.
Marcos: Áudio
Matheus: Marcos, seu canalha! Não quero saber de você ouvindo Diante do Trono.
Ariany: Morta.
Ariany: CHEGA JEEEEEEEESUS.
Ariany: Tô me mijando todinha.
Matheus: A outra só morre.
Matheus: Olha, eu acho melhor irmos todos juntos. A gente reserva um hotel e dividi a conta.
Débora: E como vamos fazer isso?
Matheus: Venham pro Rio! Mas venham logo!
Débora: Aí você me quebra!
Matheus: Você mora aqui do lado, canalha! E até onde sei, dinheiro nunca foi problema pra você. Pra ninguém do grupo, aliás.
Thainá: Cheguei.
Débora: E depois?
Thainá: Do que estão falando?
Matheus: Aí vocês vão para Casa do Tráfico. Eu não moro mais lá, mas ela tá vazia.
Débora: A Thainá e a Kerol não sabem onde é.
Thainá: Que Casa do Tráfico?
Thainá: Não sei onde é o que, gente?
Matheus: PARA DE DIFICULTAR DÉBORA! EU VOU BUSCAR ELAS NO AEROPORTO. AÍ DEPOIS A GENTE VAI JUNTO DE ÔNIBUS. E ENFIM VAMOS VER A LOUBAQUINHA CASAR.
Débora: _|_
Débora: Tá.
Thainá: Não sei se eu vou para o casamento da Bruna. Vai ter show da Dani aqui em Campinas e faz duas semanas que eu não vejo ela.
Matheus: Larga da separada! Se você não cuidar seu casamento será afetado por influência dela.
Thainá: Mas eu nem sou casada.
Matheus: Então a atenção terá que ser redobrada.
Loubaquinha: Não quero saber como vocês vão vir. Mas se um de vocês não forem, juro que nunca mais haverá Escândalo da Pica-pau.

·

A casa estava um pouco suja, ainda com fragmentos da gravação do Extraordinária Graça. Contratei um serviço de limpeza, pois eu não daria conta de limpá-la sozinho. Na verdade, eu só assisto as empregadas limparem. Queria que as empregadas fossem o Marcos. Ou a Ariany. Ou a Loubaquinha. Então dou altas gargalhadas, bebendo um pouco de champanhe a beira da piscina.
Depois de um longo domingo, a casa finalmente está limpa.

Matheus: A Casa do Tráfico está limpa! Eu poderia deixá-la suja, pois vocês são sujos. Mas ainda sou legal.
Marcos: Não fez mais que sua obrigação.
Matheus: Obrigação é minha mão na tua cara.
Ariany: Morta.

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